VOZES DOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS SOBRE A DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÉNERO, SUA RELAÇÃO COM A COEDUCAÇÃO E COM A INOVAÇÃO PEDAGÓGICA


VOZES DOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS SOBRE A DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÉNERO, SUA RELAÇÃO COM A COEDUCAÇÃO E COM A INOVAÇÃO PEDAGÓGICA

VOZES DOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS SOBRE A DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÉNERO, SUA RELAÇÃO COM A COEDUCAÇÃO E COM A INOVAÇÃO PEDAGÓGICA: 

UM ESTUDO COMPARATIVO NA UNIVERSIDADE DA MADEIRA (PT) E NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE (BR)


Projeto de Pós-doutoramento em Educação e Diversidade registado na Universidade Federal de Sergipe (Brasil) 



Pós-doutorando: 

Paulo Brazão

jbrazao@staff.uma.pt

Centro de Investigação em Educação da Universidade da Madeira


Orientador:

Alfrancio Ferreira Dias

diasalfrancio@hotmail.com

Universidade Federal de Sergipe


Período: 2020 - 2021



APRESENTAÇÃO

O debate de questões de género e da diversidade sexual tem sido muito atual nos movimentos sociais e tem levado os estados a intensificarem medidas legislativas nesta área, consonantes ainda com os valores democráticos que defendem.

No campo da Educação, entendo que currículo é cultura, a visão de um currículo Queer na Escola com um olhar “desconstruído” e não normativo torna-se  necessário para o empoderamento dos estudantes e demais agentes. Constitui também um ato político para as questões da diversidade sexual e de género.

Para potencializar uma pedagogia Queer é necessário que os ambientes escolares sejam verdadeiramente promotores de coeducação nas questões da diversidade sexual e de género. Isso torna-se possível problematizando e refletindo as vivências escolares quotidianas de forma a coconstruir normas de convivência inclusiva.

Temos a convicção que estes temas discutidos no espaço da academia revelam-se fundamentais para a renovação conceptual e prática da pedagogia nos seus contextos organizacionais e num âmbito mais alargado contribuem para mudanças sociais marcantes.

A descontinuidade cultural face à matriz comum da Escola é ainda um tema central na visão disruptiva para a Inovação Pedagógica (Brazão, 2008).

Neste contexto, Inovação Pedagógica pode ser entendida como a ação em educação para o empoderamento social focalizado na transformação da cultura da escola. Para tal, o ato pedagógico deve ser dialógico. O conhecimento coconstruído atribui a cada indivíduo o papel agente escolar ativo (Dias, 2017).  É necessário por isso que desde muito cedo que as instituições educativas desenvolvam práticas pedagógicas críticas, desconstrutoras do padrão heteronormativo.

Debater questões de género e da sexualidade constitui para Judith Butler (2020) uma das funções da academia porque corrobora com os objetivos da sociedade democrática. A academia pode mudar a sociedade criando esse espaço de produção de pensamento equacionando ainda os princípios democráticos como a igualdade, liberdade e a justiça. Definir, debater opiniões e a torná-las públicas representa também o objetivo da investigação livre e aberta.

Os estudos comparativos ajudam na compreensão das sociedades, do que culturalmente representam, como evoluem e como se projetam. Nesse sentido será importante compreender numa perspetiva comparada a problemática da diversidade sexual e de género em Portugal e no Brasil.


 A CONSTRUÇÃO DO PROBLEMA

A transitabilidade acelerada dos ideais da modernidade a que a sociedade pós-moderna está mergulhada dá-nos a leitura dos conceitos de género e sexo enquanto elementos de poder, na circunstância de artifícios flutuantes da contemporaneidade.  Por esse motivo assistimos cada vez mais a cenários sociais de permanente negociação desses conceitos por parte dos indivíduos. Embora coexistam diferentes conceptualizações sobre género como a visão essencialista a visão determinista ou a visão naturalizante, optaremos nesta pesquisa pela linha teórica dada pela visão performativa de Judith Butler (2017). Segundo esta autora,  as relações entre o género e o sexo não se constituem de uma única forma mas antes num leque multivariado de atos de escolha na transitabilidade dos contextos sociais em que os indivíduos se encontram. Nessa ação Butler (2017), apresenta-nos o conceito de performatividade como o elemento que conduz os indivíduos na experienciação de género e sexo. Duas consequências podemos tirar daqui :  em primeiro a impossibilidade de uma única visão que nos explique a “identidade de género”. Em segundo, a importância da valorização dos atos de escolha enquanto construções permanentes de identidades múltiplas e variadas. Acresce ainda lembrar o direito de cada um em ser respeitado na sua performatividade sexual e de género. Sabemos também que este campo está repleto de representações sobre sexualidade e género advindas de outras lógicas nomeadamente da lógica dual Homem / Mulher, originando cenários sociais de tensão permanente. Importa por isso determinar quais as políticas educativas inclusivas que existem no Brasil e em Portugal, sobre o respeito pela vivência e expressão natural da sexualidade e do género.

Queremos nesta pesquisa nos centrar no campo da Educação para enfatizar a coeducação na construção de ambientes inclusivos para a diversidade sexual e de género, nas instituições de ensino superior. 

A construção do problema da nossa pesquisa apresenta três grandes perguntas:

  • Que dizem os estudantes universitários sobre diversidade sexual e de género?
  • Que papel desempenham esses estudantes na coconstrução de contextos sociais inclusivos sobre diversidade sexual e de género? 
  • Que contributo terá esse trabalho nos campos da inovação pedagógica e da política educativa?


A  METODOLOGIA DA PESQUISA

Esta pesquisa é qualitativa de natureza exploratória. Definimos como um estudo de caso (Yin, 2005), comparativo e utilizaremos a entrevista e a observação participante nos dois contextos universitários: Universidade Federal de Sergipe e Universidade da Madeira.


IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS DA PESQUISA

Não antevendo considerações, reforçamos quatro aspetos sobre a importância dos resultados desta pesquisa:

  • A comparação das enunciações dos estudantes universitários dos dois contextos estudados (Universidade Federal de Sergipe e Universidade da Madeira), permitirá um conhecimento intrínseco das culturas dos estudantes acerca da diversidade sexual e de género e sua relação mais ampla com a sociedade em que se movem.
  • O apuramento ao nível regulamentar, orgânico e pedagógico das medidas promotoras de culturas inclusivas sobre a diversidade sexual e de género na Universidade Federal de Sergipe e na Universidade da Madeira permitirá em cada contexto uma reflexão alargada, também precursora de novas perspetivas a desencadear.
  • A identificação dos fatores contributivos da Coeducação, concorrentes de um novo paradigma educacional para as práticas pedagógicas inclusivas acerca da diversidade sexual e de género constituirá uma ampliação da discussão teórica no campo da inovação pedagógica.
  • A discussão comparada das políticas educativas inclusivas sobre o respeito pela vivência e expressão natural da sexualidade e do género, permitirá uma compreensão ampla das duas sociedades - Brasil e Portugal, historicamente próximas.


(Acesso exclusivo à equipa)

1 - VIDEOCONFERÊNCIA ZOOM

SALA de Reunião ZOOM

ID da reunião: 578 954 5862

Senha: 


2 - INFOGRAFIA NA PLATAFORMA THEBRAIN

(Acesso exclusivo à equipa)

https://bra.in/7vA6Q3