AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES (AVAE) : UMA ETNOGRAFIA NA WEB


AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES (AVAE) : UMA  ETNOGRAFIA NA WEB


AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES

UMA ETNOGRAFIA NA WEB

 

ACRÓNIMO: AVAE

 

Equipa:


Prof. PAULO BRAZÃO

(Universidade da Madeira – UMa-PT)

Prof. ANTENOR RITA GOMES

(Universidade do Estado da Bahia – UNEB- BR).



PARCERIA INSTITUCIONAL  

Universidade da Madeira -UMa (PT) e Universidade do Estado da Bahia/UNEB



2020

TEMPO DE REALIZAÇÃO:

(7 MESES)


APRESENTAÇÃO


“Este é um caminho nunca explorado. Ninguém sabe como percorrê-lo. Uma coisa é educar a distância segundo teorias e práticas que têm vindo a consolidar-se ao longo de décadas. Outra coisa, bem distinta, é mudar subitamente do presencial para o remoto, com mais de metade do ano já cumprida. É como começar um jogo com regras bem conhecidas e interrompê-lo subitamente para começar, sem intervalo, um jogo cujas regras se desconhecem. Ainda por cima, pretende-se chegar ao fim do ano com resultados apurados.

Que fazer? … atravessamos um raro momento de valorização. Uma oportunidade única para os professores examinarem as suas próprias práticas à luz dos desafios que a distância lhes coloca e tornarem-se ainda melhores professores. É nesse percurso que espero poder acompanhá-los.” Dias Figueiredo (2020) *


Subscrevendo o problema identificado pelo Professor Dias Figueiredo, gostaríamos contribuir enquanto professores-pesquisadores fazendo o relato de um percurso para o qual só temos duas certezas: da responsabilidade de orientar um grupo de aprendizes jovens e o escasso tempo para a tomada de decisões nessa caminhada virtual.



O ENSINO REMOTO DE EMERGÊNCIA E OS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES (AVAE)


A contingência atual provocada pela pandemia mundial do Covid-19 em todos os setores da sociedade, nomeadamente no campo da Educação faz deste momento o único para a experiência da transição generalizada da Educação para o campo virtual com um enorme desafio não só para os professores, como também para os estudantes, os coconstrutores dos novos ambientes de aprendizagem.

Circunscrever esta ação ao Ensino Remoto de Emergência pode por isso limitar o alcance da Educação pois o percurso experienciado em AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES (AVAE), inserido numa realidade complexa, apresenta um potencial que ultrapassa campo do ensino formal à distância para se estender como o exercício autêntico, de valor intemporal na formação do cidadão crítico e participativo.

Por outras palavras, o contexto da emergência pode levar-nos à abordagem do Ensino Remoto de Emergência enquanto processo simplificado, desconsiderando a complexidade do problema situado bem como as iniciativas tomadas pelos agentes para a resolução das dificuldades. Corre-se por isso o risco de desvalorizar a amplitude de possibilidades que os ambientes virtuais de aprendizagem podem trazer à Educação, o fundamental que é a grande oportunidade que o momento nos traz para repensarmos a Educação a longo prazo.

Por outras palavras, a improbabilidade que o problema situado trouxe ao Ensino deve ser o motor para uma ação disruptiva, essencial à Inovação Pedagógica.

Do ponto de vista metodológico assumimos a função de professores-investigadores, no papel de “observador participante completo”. Encaramos a subjetividade como mais-valia da pesquisa relatando a história de um trabalho desenvolvido na web com um grupo de estudantes da licenciatura em Ciências da Educação, na unidade curricular de TIC e Educação. O facto de sermos dois docentes, um com a tarefa letiva outro  enquanto observador participante permite a interação e a reflexão sobre os fenómenos que ocorrem no ambiente virtual.


O QUE SÃO OS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES?


Os ambientes virtuais de aprendizagem são suportados por tecnologias emergentes que pela sua natureza e usabilidade potenciam o campo da aprendizagem ao ponto de ser difícil antecipar horizontes, tal é a potencialidade do desenvolvimento tecnológico e os desafios presentes nesse desenvolvimento.

Conceptualmente falando, os ambientes virtuais de aprendizagem emergentes recebem os contributos de autores que investigam o uso educacional das tecnologias no campo virtual e não só, emergentes em desenvolvimento tecnológico bem como das orientações políticas supranacionais que pressionam a incorporação de tecnologia nas escolas.  A discussão teórica toma também como contraponto os autores críticos, cuja relação com a tecnologia está mais distanciada.

Nestes ambientes de aprendizagem em contexto, os aprendizes desenvolvem competências, aptidões e métodos de pesquisa baseados numa visão crítica, percorrendo de forma transversal todos conteúdos programáticos.

Os objetivos de aprendizagem são alcançados pela participação ativa dos aprendizes cruzando a revisão da literatura pertinente, com a  vivência de situações reais ou simuladas através de técnicas de flipped classroom, scenario planning, gamification, problem based learning etc. Ao proporcionar aos estudantes a possibilidade de aprenderem juntos em ambientes virtuais enriquecidos pela tecnologia pedimos-lhes autonomia e protagonismo na experienciação de uma prática por descoberta, fundamentada  por um quadro teórico.  Com este envolvimento os estudantes estão finalmente capazes participar na coconstrução de critérios de análise e de avaliação dos contextos virtuais de aprendizagem emergentes.


OBJETIVO


Este estudo tem como objetivo analisar a ação desencadeada pelos atores nos AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES, durante a contingência educacional provocada pela pandemia mundial do Covid-19.


QUESTÕES

Parte-se da grande questão:

Que ambientes virtuais de aprendizagem são desenvolvidos durante a contingência educacional provocada pela pandemia mundial do Covid-19?

As questões específicas são:

1 – Que ações são desencadeadas nos AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES?

2 - Quais são as justificações para as adaptações ao nível curricular, pedagógico, tecnológico e educacional nesses ambientes ?

2 – Que papeis desempenham os atores?

3 – Como avaliar as ações desencadeadas nos AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM EMERGENTES?

4 – Que produtos culturais aí resultantes são reconhecidos pela comunidade?

 

 

METODOLOGIA 


Estudo etnográfico com recurso à observação participante em ambiente virtual e recolha de webgrafia do trabalho pedagógico de uma Unidade Curricular da Licenciatura em Ciências da Educação.



INSTRUMENTO

Diário Etnográfico Eletrónico (Brazão, 2004) ** 



NATUREZA DOS DADOS:

 

  • Anotações do diário etnográfico;
  • Documentos de referenciação do curso de Licenciatura em Ciências da Educação e da Unidade Curricular de TIC e Educação;
  • Story Boards dos estudantes sobre os seus percursos;
  • Os artefactos produzidos pelos estudantes.



TRATAMENTO DOS DADOS


Tratamento dos dados pelo método descritivo interpretativo do diário de bordo. Triangulação com os referenciais teóricos da aprendizagem em contexto (Erstad, O., 2016), o construtivismo crítico (Kincheloe, J., 2006) e o construcionismo (Papert S.,1997)

 


INFOGRAFIA TIC E EDUCAÇÃO

https://bra.in/2vmxnJ


INFOGRAFIA AVAE

https://bra.in/3j3PAr



REFERÊNCIAS


* Figueiredo, D. (2020). O caminho nunca antes percorrido. Ensinar à Distância. https://eagoraead.wixsite.com/ensinaradistancia/post/o-caminho-nunca-dantes-percorrido, acedido a 29 de março de 2020.

** Brazão, P. (2004) Diário Etnográfico Eletrónico https://www.jpaulobrazao.com/software-para-educa%C3%87%C3%83o/di%C3%A1rio-etnogr%C3%A1fico-eletr%C3%B3nico

Programa da Unidade Curricular de Ambientes de Aprendizagem Emergentes, do curso de doutoramento em Curriculo e Inovação Pedagógica, da Universidade da Madeira.



BIBLIOGRAFIA

(em revisão)


Adams Becker, S., Cummins, M., Davis, A., Freeman, A., Hall Giesinger, C., and Ananthanarayanan, V. (2017). NMC Horizon Report: 2017 Higher Education Edition. Austin, Texas: The New Media Consortium.

Brazao, P. (2004). DIÁRIO ETNOGRÁFICO ELECTRÓNICO v2 software de apoio à investigação etnográfica. DOI: 10.13140/RG.2.2.32598.40005

Brazão, P. (2007). O diário de um diário etnográfico electrónico. In J. Sousa, & C. Fino (orgs). A escola sob suspeita. (pp. 289-307). Porto: Asa Editores. ISBN: 978-972-41-5066-6. http://hdl.handle.net/10400.13/844 DOI: 10.13140/RG.2.2.32598.40005

Deborah Osberg & Gert Biesta (2020) Beyond curriculum: Groundwork for a non-instrumental theory of education, Educational Philosophy and Theory, DOI: 10.1080/00131857.2020.1750362

Estalella A., & Ardévol, E. (2010). Internet: instrumento de investigación y campo de estudio para la antropología visual. Revista Chilena de Antropología Visual, número 15. Santiago, Agosto -1/21 pp.- ISSN 0718-876x.

Erstad, O., Kumpulainen, K., Mäkitalo, Å., Schrøder, K.C., Pruulmann-Vengerfeldt, P., Jóhannsdóttir, T. (Eds.) (2016). Learning across contexts in the Knowledge Society. Rotterdam: Sense Publishers.

Fino, C. N. (2016) Matética e inovação pedagógica: o centro e a periferia, In Fernanda Gouveia & Maria Gorete Pereira (Org.). Didática e Matética (pp. 253-259). Funchal: Universidade da Madeira - CIE-UMa. ISBN 978-989-95857-8-2


Kincheloe, J. (2006). Construtivismo Crítico. Mangualde: Edições Pedago.

Kuger S., Klieme E., Jude, N. and Kaplan, D. (Eds) (2017) Assessing Contexts of Learning: An International Perspective. Cham: Springer.

Lapassade, G. (1991). L’ Éthnosociologie. Paris: Méridiens Klincksieck.

Lapassade, G. (1998). Microsociologie de la vie scolaire. Paris: Anthropos.

Papert S. (1997). A família em rede. Lisboa: Relógio d’Água.

Sharmila, H. W. and Ferris, P. (Eds.) (2017). Unplugging the Classroom: Teaching with Technologies to Promote Students' Lifelong Learning. Cambridge MA: Chandos Publishing.

Sousa, J. M. & Fino , C. N. (2005, 24 Junho). Um Mestrado em Inovação Pedagógica. I-V.

Sousa, J. M. & Fino , C. N. (2007). Inovação e incorporação de novos saberes: o desenho curricular de um mestrado em Inovação Pedagógica. In Actas do VIII Congresso da SPCE, “Cenários da educação/formação: Novos espaços, culturas e saberes". Castelo Branco: SPCE.

Sousa, J. M. & Fino , C. N. (2007). Inovação e incorporação de novos saberes: o desenho curricular de um mestrado em Inovação Pedagógica. In Actas do VIII Congresso da SPCE, “Cenários da educação/formação: Novos espaços, culturas e saberes". Castelo Branco: SPCE.




INFOGRAFIA  TIC E EDUCAÇÃO

https://bra.in/2vmxnJ


INFOGRAFIA AVAE

https://bra.in/3j3PAr